WebGIS for the 21st century: geoinformation, users, and public policy in the technical-scientific-informational milieu. From the invention of Geographic Information Systems to the construction of sociotechnical platforms for territorial justice and climat: From the invention of Geographic Information Systems to the construction of sociotechnical platforms for territorial justice and climate adaptation

Autores

Vitor Antonio de Almeida Lacerda
(Autor)
Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo
https://orcid.org/0000-0002-2516-8438
Marcel Fantin
(Autor)
Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo
https://orcid.org/0000-0003-3069-8019

Palavras-chave:

Webs, Geotechnologies, Climate Change

Sinopse

WebGIS for the 21st Century: Geoinformation, Users, and Public Policy in the Technical-Scientific-Informational Milieu propõe uma reconstrução histórica, epistemológica e aplicada da evolução dos Sistemas de Informação Geográfica, desde os primeiros sistemas computacionais destinados ao planejamento territorial até a emergência de plataformas WebGIS capazes de articular dados, usuários, instituições, interpretação territorial e políticas públicas. A obra parte de uma pergunta fundamental: o que deve ser um WebGIS no século XXI? Para respondê-la, o livro recupera a origem dos SIG na década de 1960, especialmente a experiência canadense do Canada Land Inventory e o trabalho pioneiro de Roger Tomlinson, mostrando como os primeiros GIS surgiram quando o volume e a complexidade das informações territoriais excederam a capacidade de processamento manual. O mapa deixa, então, de ser apenas um produto gráfico e passa a integrar um sistema de dados, consultas, classificações, cruzamentos e modelos destinados a apoiar decisões territoriais. A partir dessa genealogia, o livro examina a transformação da cartografia analógica em sistemas computacionais de representação espacial. Pontos, linhas, polígonos, matrizes raster, redes, atributos e bancos de dados passam a constituir formas de codificação do território. Essa transformação amplia extraordinariamente a capacidade analítica, mas também introduz um problema epistemológico decisivo: a representação computacional não é a própria realidade territorial. Toda camada, indicador, modelo ou mapa decorre de escolhas teóricas, metodológicas, técnicas e políticas. Inspirado na contribuição de Milton Santos e da Geografia Crítica, o livro sustenta que o espaço não pode ser reduzido a uma superfície ou a uma coleção de objetos georreferenciados. Ele deve ser entendido como uma totalidade produzida pela relação entre sistemas de objetos e sistemas de ações, envolvendo fluxos, lugares, infraestruturas, normas, conflitos, desigualdades, instituições e práticas sociais. Essa perspectiva conduz à proposta de um Social WebGIS, voltado não apenas à localização de fenômenos, mas à interpretação crítica dos processos territoriais que os produzem. A obra dedica também um capítulo à trajetória brasileira da geoinformação, destacando o papel pioneiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais — INPE e a linhagem formada por SITIM/SGI, SPRING, TerraLib, TerraView e TerraBrasilis. Essa trajetória é interpretada como expressão de uma capacidade científica e tecnológica nacional associada ao sensoriamento remoto, ao monitoramento ambiental, ao desenvolvimento de software aberto, à produção de dados públicos e à soberania informacional. O livro analisa ainda a popularização social da geoinformação com o surgimento da internet, da geoweb, do Google Maps e do Google Earth. Essas plataformas aproximaram milhões de usuários dos mapas digitais, das imagens de satélite e da navegação espacial, mas a obra distingue popularização do mapa de democratização da análise territorial. Localizar um endereço, traçar uma rota ou observar uma imagem orbital não equivale a compreender as relações entre temperatura, vegetação, renda, impermeabilização do solo, vulnerabilidade social e acesso a espaços públicos. Essa distinção conduz a um dos argumentos centrais da publicação: a existência de uma barreira técnico-científica entre especialistas e usuários. Disponibilizar dados na internet não garante sua apropriação social. A democratização da geoinformação depende de linguagem clara, usabilidade, acessibilidade, visualização adequada, transparência metodológica e interfaces capazes de ajudar diferentes públicos a interpretar os dados. Nesse sentido, a Interação Humano-Computador — HCI, o Design Thinking, o Double Diamond, os testes de usabilidade e o UX Design são tratados como componentes metodológicos e políticos da construção de um WebGIS público. A experiência da Plataforma UrbVerde constitui o principal laboratório empírico do livro. A plataforma organiza indicadores socioambientais relativos a temas como vegetação, temperatura de superfície, áreas verdes, parques e praças, impermeabilização do solo e desigualdades territoriais, buscando transformar dados geoespaciais em instrumentos de diagnóstico, planejamento, educação ambiental, adaptação climática e acompanhamento de políticas públicas. A reestruturação tecnológica e metodológica da UrbVerde é analisada como exemplo da passagem de um WebGIS estático para uma infraestrutura dinâmica e centrada nos usuários. O livro discute processamento em nuvem, bancos de dados espaciais, APIs, renderização vetorial, escalabilidade, dashboards, arquitetura da informação e interfaces interativas, mas argumenta que a verdadeira inovação não está apenas no dinamismo técnico. É necessário alcançar também um dinamismo interpretativo, no qual usuários consigam compreender indicadores, comparar territórios, reconhecer desigualdades e relacionar diagnósticos a ações públicas. A obra propõe, assim, uma cadeia de valor público estruturada como dados → diagnóstico → planejamento → monitoramento. O WebGIS deixa de funcionar apenas como repositório cartográfico e passa a integrar o ciclo das políticas públicas, permitindo identificar prioridades, formular ações, estabelecer metas, acompanhar resultados e ampliar a transparência. A justiça territorial e a adaptação climática constituem horizontes centrais dessa proposta. Ilhas de calor, desigualdade na distribuição da vegetação, déficit de parques e praças, impermeabilização do solo, exposição a enchentes e outras vulnerabilidades urbanas não são tratadas apenas como fenômenos ambientais, mas como expressões espaciais de desigualdades sociais e históricas. O WebGIS deve contribuir para revelar essas relações e apoiar políticas públicas capazes de enfrentá-las. Ao mesmo tempo, a obra rejeita uma visão tecnocrática. Nenhum sistema, por mais sofisticado que seja, substitui a participação social, o conhecimento local, o trabalho de campo, a deliberação pública ou a capacidade administrativa e política do Estado. O papel do WebGIS é apoiar decisões, aumentar a inteligibilidade do território, revelar desigualdades e ampliar a capacidade de ação pública — não substituir a política por algoritmos, mapas ou dashboards. Em síntese, o livro propõe que o WebGIS do século XXI seja social, público e crítico. Mais do que uma ferramenta de visualização, deve constituir uma infraestrutura sociotécnica capaz de articular ciência, tecnologia, território, usuários e políticas públicas. Sua contribuição central é deslocar a discussão da mera democratização do acesso aos mapas para a democratização da interpretação territorial, transformando geoinformação em conhecimento público e conhecimento público em capacidade democrática de agir sobre o território.

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setembro 23, 2026
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Detalhes sobre essa publicação

ISBN-A (26)

978-85-66624-87-8

doi

10.11606/9788566624878