WebGIS for the 21st century: geoinformation, users, and public policy in the technical-scientific-informational milieu. From the invention of Geographic Information Systems to the construction of sociotechnical platforms for territorial justice and climat: From the invention of Geographic Information Systems to the construction of sociotechnical platforms for territorial justice and climate adaptation
Palavras-chave:
Webs, Geotechnologies, Climate ChangeSinopse
WebGIS for the 21st Century: Geoinformation, Users, and Public Policy in the Technical-Scientific-Informational Milieu propõe uma reconstrução histórica, epistemológica e aplicada da evolução dos Sistemas de Informação Geográfica, desde os primeiros sistemas computacionais destinados ao planejamento territorial até a emergência de plataformas WebGIS capazes de articular dados, usuários, instituições, interpretação territorial e políticas públicas. A obra parte de uma pergunta fundamental: o que deve ser um WebGIS no século XXI? Para respondê-la, o livro recupera a origem dos SIG na década de 1960, especialmente a experiência canadense do Canada Land Inventory e o trabalho pioneiro de Roger Tomlinson, mostrando como os primeiros GIS surgiram quando o volume e a complexidade das informações territoriais excederam a capacidade de processamento manual. O mapa deixa, então, de ser apenas um produto gráfico e passa a integrar um sistema de dados, consultas, classificações, cruzamentos e modelos destinados a apoiar decisões territoriais. A partir dessa genealogia, o livro examina a transformação da cartografia analógica em sistemas computacionais de representação espacial. Pontos, linhas, polígonos, matrizes raster, redes, atributos e bancos de dados passam a constituir formas de codificação do território. Essa transformação amplia extraordinariamente a capacidade analítica, mas também introduz um problema epistemológico decisivo: a representação computacional não é a própria realidade territorial. Toda camada, indicador, modelo ou mapa decorre de escolhas teóricas, metodológicas, técnicas e políticas. Inspirado na contribuição de Milton Santos e da Geografia Crítica, o livro sustenta que o espaço não pode ser reduzido a uma superfície ou a uma coleção de objetos georreferenciados. Ele deve ser entendido como uma totalidade produzida pela relação entre sistemas de objetos e sistemas de ações, envolvendo fluxos, lugares, infraestruturas, normas, conflitos, desigualdades, instituições e práticas sociais. Essa perspectiva conduz à proposta de um Social WebGIS, voltado não apenas à localização de fenômenos, mas à interpretação crítica dos processos territoriais que os produzem. A obra dedica também um capítulo à trajetória brasileira da geoinformação, destacando o papel pioneiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais — INPE e a linhagem formada por SITIM/SGI, SPRING, TerraLib, TerraView e TerraBrasilis. Essa trajetória é interpretada como expressão de uma capacidade científica e tecnológica nacional associada ao sensoriamento remoto, ao monitoramento ambiental, ao desenvolvimento de software aberto, à produção de dados públicos e à soberania informacional. O livro analisa ainda a popularização social da geoinformação com o surgimento da internet, da geoweb, do Google Maps e do Google Earth. Essas plataformas aproximaram milhões de usuários dos mapas digitais, das imagens de satélite e da navegação espacial, mas a obra distingue popularização do mapa de democratização da análise territorial. Localizar um endereço, traçar uma rota ou observar uma imagem orbital não equivale a compreender as relações entre temperatura, vegetação, renda, impermeabilização do solo, vulnerabilidade social e acesso a espaços públicos. Essa distinção conduz a um dos argumentos centrais da publicação: a existência de uma barreira técnico-científica entre especialistas e usuários. Disponibilizar dados na internet não garante sua apropriação social. A democratização da geoinformação depende de linguagem clara, usabilidade, acessibilidade, visualização adequada, transparência metodológica e interfaces capazes de ajudar diferentes públicos a interpretar os dados. Nesse sentido, a Interação Humano-Computador — HCI, o Design Thinking, o Double Diamond, os testes de usabilidade e o UX Design são tratados como componentes metodológicos e políticos da construção de um WebGIS público. A experiência da Plataforma UrbVerde constitui o principal laboratório empírico do livro. A plataforma organiza indicadores socioambientais relativos a temas como vegetação, temperatura de superfície, áreas verdes, parques e praças, impermeabilização do solo e desigualdades territoriais, buscando transformar dados geoespaciais em instrumentos de diagnóstico, planejamento, educação ambiental, adaptação climática e acompanhamento de políticas públicas. A reestruturação tecnológica e metodológica da UrbVerde é analisada como exemplo da passagem de um WebGIS estático para uma infraestrutura dinâmica e centrada nos usuários. O livro discute processamento em nuvem, bancos de dados espaciais, APIs, renderização vetorial, escalabilidade, dashboards, arquitetura da informação e interfaces interativas, mas argumenta que a verdadeira inovação não está apenas no dinamismo técnico. É necessário alcançar também um dinamismo interpretativo, no qual usuários consigam compreender indicadores, comparar territórios, reconhecer desigualdades e relacionar diagnósticos a ações públicas. A obra propõe, assim, uma cadeia de valor público estruturada como dados → diagnóstico → planejamento → monitoramento. O WebGIS deixa de funcionar apenas como repositório cartográfico e passa a integrar o ciclo das políticas públicas, permitindo identificar prioridades, formular ações, estabelecer metas, acompanhar resultados e ampliar a transparência. A justiça territorial e a adaptação climática constituem horizontes centrais dessa proposta. Ilhas de calor, desigualdade na distribuição da vegetação, déficit de parques e praças, impermeabilização do solo, exposição a enchentes e outras vulnerabilidades urbanas não são tratadas apenas como fenômenos ambientais, mas como expressões espaciais de desigualdades sociais e históricas. O WebGIS deve contribuir para revelar essas relações e apoiar políticas públicas capazes de enfrentá-las. Ao mesmo tempo, a obra rejeita uma visão tecnocrática. Nenhum sistema, por mais sofisticado que seja, substitui a participação social, o conhecimento local, o trabalho de campo, a deliberação pública ou a capacidade administrativa e política do Estado. O papel do WebGIS é apoiar decisões, aumentar a inteligibilidade do território, revelar desigualdades e ampliar a capacidade de ação pública — não substituir a política por algoritmos, mapas ou dashboards. Em síntese, o livro propõe que o WebGIS do século XXI seja social, público e crítico. Mais do que uma ferramenta de visualização, deve constituir uma infraestrutura sociotécnica capaz de articular ciência, tecnologia, território, usuários e políticas públicas. Sua contribuição central é deslocar a discussão da mera democratização do acesso aos mapas para a democratização da interpretação territorial, transformando geoinformação em conhecimento público e conhecimento público em capacidade democrática de agir sobre o território.
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