Entre ARSAT y el sojware: parques, distritos tecnológicos y dependencia digital en la Argentina

Autores

Marcel Fantin
(Autor)
Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo
https://orcid.org/0000-0003-3069-8019
Matheus de Souza Oliveira da Veiga
(Autor)
Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo
https://orcid.org/0009-0003-0545-4992

Palavras-chave:

Tecnología, Geografía económica, Argentina, Política industrial

Sinopse

Entre ARSAT y el sojware: parques, distritos tecnológicos y dependencia digital en la Argentina analisa as contradições da inovação tecnológica em uma economia periférica a partir de uma questão central: que tipo de desenvolvimento tecnológico é possível produzir quando capacidades científicas e institucionais relevantes convivem com dependência externa, instabilidade econômica, fragmentação produtiva e fortes desigualdades territoriais? A obra parte do reconhecimento de que a Argentina possui uma importante tradição científica e tecnológica, expressa em suas universidades públicas, no CONICET, em organismos tecnológicos, empresas estratégicas e experiências de engenharia complexa. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades persistentes de articulação entre ciência, produção, indústria e território, além de descontinuidades institucionais e elevada dependência tecnológica. O livro interpreta essa condição não como ausência de inovação, mas como uma disputa sobre o sentido da inovação. O eixo analítico da obra é sintetizado pela oposição entre ARSAT e “sojware”. De um lado, ARSAT e sua articulação com a INVAP representam uma concepção de inovação orientada por missões nacionais, infraestrutura pública, engenharia própria, integração territorial e soberania tecnológica. O desenvolvimento dos satélites ARSAT-1 e ARSAT-2, da Rede Federal de Fibra Óptica, de infraestrutura de dados e de serviços de telecomunicações é analisado como expressão da capacidade de um país periférico de produzir tecnologia complexa e acumular competências estratégicas. De outro lado, a obra mobiliza criticamente o conceito de “sojware”, formulado por Alfredo Moreno, para caracterizar uma modalidade de inserção dependente na economia digital. A analogia com a soja refere-se à possibilidade de transformar linhas de código, horas de programação e serviços digitais terceirizados em uma nova commodity periférica: atividades aparentemente sofisticadas, mas cuja apropriação principal de valor, controle das plataformas, marcas, dados e decisões estratégicas permanece fora do país. O livro também constrói uma ampla cartografia dos parques, polos, clusters e distritos tecnológicos argentinos, analisando experiências como o Parque Tecnológico del Litoral Centro, Misiones, Mendoza, Rosario, Corrientes, Parque Empresarial Austral, Puerto Madryn, Bahía Blanca e outros polos regionais, além da Red de Parques y Polos Tecnológicos de Argentina — RedPPAr. A análise mostra uma geografia de inovação heterogênea e desigual, com diferentes graus de maturidade institucional, capacidade científico-tecnológica, infraestrutura e articulação produtiva. Entre essas experiências, o Parque Tecnológico del Litoral Centro, em Santa Fe, é examinado como um dos casos mais consolidados de articulação entre ciência pública, universidade, empresas de base tecnológica e desenvolvimento regional. A presença da Universidad Nacional del Litoral, do CONICET e de empresas ligadas à biotecnologia permite discutir uma modalidade de parque tecnológico em que o conhecimento científico se converte em empresas, produtos, exportações, empregos e plataformas tecnológicas. A obra dedica atenção especial a Buenos Aires e ao Distrito Tecnológico de Parque Patricios, tratando-o simultaneamente como política de promoção das tecnologias da informação, estratégia de renovação urbana e dispositivo de valorização imobiliária. O livro analisa a política dos distritos criativos, os incentivos fiscais, a atração de empresas, a construção de novas centralidades, o city marketing, a transformação da imagem do sul porteño e os efeitos sobre o mercado do solo e os habitantes tradicionais. Nesse sentido, a inovação urbana é examinada criticamente também a partir dos processos de valorização imobiliária e possível gentrificação tecnológica. A obra mostra que um distrito pode apresentar resultados expressivos em atração empresarial, requalificação física e valorização de imóveis sem necessariamente produzir, na mesma intensidade, autonomia tecnológica, densidade produtiva, articulação com universidades públicas ou inclusão dos habitantes locais. Outra dimensão central é a soberania digital. O livro amplia o conceito de infraestrutura tecnológica para incluir satélites, fibra óptica, centros de dados, nuvem, algoritmos, plataformas e serviços de telecomunicações. A experiência de ARSAT permite discutir o armazenamento e a governança de dados, a infraestrutura pública de conectividade e a capacidade estatal de operar em setores estratégicos, enquanto a expansão de plataformas globais de telecomunicação recoloca a questão da dependência sob novas formas. A obra também questiona a ideia de que a simples proximidade física entre universidades, empresas e governos produza automaticamente inovação. A experiência argentina mostra que parques, polos e distritos podem permanecer como aglomerações formais se não houver redes efetivas de cooperação, capacidade de absorção empresarial, financiamento, governança, projetos compartilhados e objetivos tecnológicos concretos. O desafio é transformar a proximidade territorial em aprendizado coletivo e capacidades produtivas duradouras. Em perspectiva mais ampla, o livro propõe distinguir duas trajetórias possíveis para a inovação no Sul Global: uma inovação subordinada, baseada na exportação de trabalho qualificado barato, na atração de empresas e na dependência de plataformas externas; e uma inovação orientada por missões públicas, capaz de construir infraestrutura, conhecimento, indústria, capacidades estatais e soberania tecnológica. A experiência argentina não é apresentada como modelo universal, mas como um espelho crítico das possibilidades e contradições da inovação periférica. A tese que percorre a obra é, portanto, que a Argentina expressa uma disputa estrutural entre soberania tecnológica e dependência digital. Entre o satélite e a linha de código exportável, entre a infraestrutura pública e a plataforma privada, entre o parque tecnológico como instrumento de desenvolvimento e o distrito como vitrine de modernização, encontra-se uma questão política fundamental: inovação para quê, para quem, em qual território e com que grau de apropriação social e nacional do valor produzido?

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setembro 23, 2026
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Detalhes sobre essa publicação

ISBN-A (26)

978-85-66624-86-1

doi

10.11606/9788566624861