The Technopolitics of Silicon Valley: innovation, territory, and power in digital capitalism

Autores

Marcel Fantin
(Autor)
Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo
https://orcid.org/0000-0003-3069-8019
Matheus de Souza Oliveira da Veiga
(Autor)
Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo
https://orcid.org/0009-0003-0545-4992

Palavras-chave:

Technology, Economic Geography, Productive Restructuring, Silicon Valley, Urban Renewal

Sinopse

The Technopolitics of Silicon Valley: Innovation, Territory, and Power in Digital Capitalism propõe uma interpretação crítica do Vale do Silício a partir do território. Em vez de tratá-lo apenas como sinônimo de startups, capital de risco, universidades de excelência e grandes empresas de tecnologia, o livro o compreende como uma formação histórica concreta, constituída por cidades, universidades, laboratórios, trabalhadores, investidores, infraestruturas, mercados, desigualdades e disputas de poder. A obra reconstrói a formação histórica do ecossistema desde a transformação do Vale de Santa Clara, anteriormente marcado pela agricultura e pelo processamento de alimentos, em um dos principais polos tecnológicos do mundo. Nesse percurso, são analisados o papel de Stanford e de outras universidades, os contratos militares, o financiamento público, a indústria de defesa, as empresas exógenas, os semicondutores, os spin-offs, as redes profissionais, a mobilidade de trabalhadores, o capital de risco e a construção gradual de uma infraestrutura institucional capaz de transformar conhecimento em novas empresas e mercados. O livro também investiga a transformação do Vale do Silício em um mito global da inovação. A expressão deixou de designar apenas uma região da Califórnia e passou a funcionar como metáfora universal de empreendedorismo, criatividade, disrupção e modernização tecnológica. O estudo examina a participação do jornalismo, da contracultura californiana, da cultura da garagem, das narrativas sobre o empreendedor heroico, da espiritualidade tecnológica, da arquitetura corporativa e da cultura das startups na construção desse imaginário. A circulação internacional desse modelo também é analisada criticamente. Casos como Silicon Alley, Zhongguancun, Hsinchu, San Diego, Košice, Irlanda e Nova York mostram que o Vale do Silício não pode ser simplesmente replicado. A transferência do modelo ocorre por traduções, adaptações e apropriações seletivas, muitas vezes reproduzindo apenas seus elementos mais visíveis — parques tecnológicos, incubadoras, edifícios, marcas territoriais e discursos de empreendedorismo — sem reconstruir as condições históricas, institucionais e sociais que sustentaram o caso californiano. Ao mesmo tempo, a obra desloca o olhar para aquilo que as narrativas celebratórias da inovação tendem a ocultar. São examinados o trabalho informal e terceirizado, a imigração, as desigualdades raciais e de gênero, a precarização, a segregação urbana e o trabalho invisível que sustenta materialmente o funcionamento da economia tecnológica. O livro argumenta que faxineiros, jardineiros, trabalhadores da construção, motoristas, trabalhadores domésticos, vendedores ambulantes e mulheres racializadas envolvidas nas cadeias da eletrônica também fazem parte da infraestrutura social do Vale do Silício. A dimensão urbana constitui outro eixo central. O livro discute a expansão da economia tecnológica sobre São Francisco e a Bay Area, relacionando inovação a gentrificação, crise habitacional, deslocamento populacional, transporte corporativo, privatização implícita do espaço público, arquitetura monumental da Big Tech e formação da chamada “cidade-plataforma”. A análise mostra que o capitalismo digital não elimina o território: ele reorganiza cidades, mobilidade, habitação, espaços públicos, infraestruturas e relações de pertencimento. Por fim, a obra examina a passagem de um cluster tecnológico regional para aquilo que denomina capitalismo digital planetário. O Vale do Silício torna-se um centro de comando de plataformas digitais, infraestrutura de nuvem, dados, propriedade intelectual, inteligência artificial, smart cities e novos regimes de dependência tecnológica. A materialidade dessa economia também é destacada: data centers, cabos, servidores, energia, água, mineração, resíduos eletrônicos e grandes infraestruturas territoriais permanecem indispensáveis ao funcionamento de uma economia frequentemente apresentada como imaterial. A contribuição central do livro é propor que o Vale do Silício seja entendido simultaneamente como ecossistema real, mito global e dispositivo de poder. A obra não busca negar a extraordinária capacidade inovadora da região, mas demonstrar que essa capacidade foi historicamente construída e que seus resultados coexistem com concentração corporativa, desigualdades, dependências tecnológicas, precarização do trabalho, conflitos urbanos e impactos ambientais. Particularmente para o Sul Global, a obra sustenta que o desafio não consiste em criar cópias periféricas do Vale do Silício, mas em desenvolver políticas de inovação territorialmente situadas, orientadas por problemas públicos, capacidades nacionais e necessidades sociais concretas. Isso implica articular universidades, Estado, empresas, trabalhadores e comunidades, fortalecendo capacidades públicas, soberania tecnológica, justiça urbana e ambiental e formas democráticas de governança da tecnologia.

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Publicado

setembro 23, 2026
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Detalhes sobre essa publicação

ISBN-A (26)

978-85-66624-85-4

doi

10.11606/9788566624854