Guia dos arquivos que não existem: acervos digitais contra-hegemônicos
Palavras-chave:
Arquivos, Biblioteca Digital, Inteligência Artificial, Memória CulturalSinopse
Este livro nasce de uma constatação contraditória. Nunca armazenamos tantos dados e, no entanto, raramente estivemos diante de uma sensação tão presente de perda de memória, pessoal e coletiva. Não nos faltam rastros, constantemente captados por toda sorte de dispositivos algorítmicos (das redes sociais ao Waze, dos documentos eletrônicos oficiais, como carteiras de identidade e passaportes, às câmeras de reconhecimento facial). O que nos falta são as condições para que vestígios se tornem arquivos, seja porque a maior parte desses registros não tem contexto, como os posts feitos no Instagram e no TikTok, seja pela instabilidade decorrente da obsolescência de seus materiais e cadeias produtivas. Por outro lado, a virada epistêmica do pensamento pós-colonial e a flexibilidade dos sistemas em rede abriram possibilidades para fabular os arquivos que não existem, objeto deste guia e do trabalho que desenvolvemos no Projeto Temático Fapesp: Acervos Digitais e Pesquisa. Entre o registro e o arquivo, abre-se, assim, uma zona crítica pautada por tudo aquilo que poderia ter sido memória, mas não chega a existir como tal. É nesse intervalo que se inscreve este livro. No Brasil, pensar em arquivos digitais significa lidar com pelo menos três grandes questões: a decolonização dos arquivos, o direito à memória e a democratização do acesso.
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