Evangelistas da inovação: território, tecnologia e ideologia nos parques e distritos tecnológico
Palavras-chave:
Parques tecnológicos, Geografia econômica, Reestruturação produtiva, Política industrial, Renovação urbanaSinopse
Este livro analisa a emergência dos chamados “evangelistas da inovação” como agentes centrais da produção ideológica, territorial e simbólica do capitalismo contemporâneo. A obra investiga como conceitos como inovação, empreendedorismo, disrupção, cidade criativa, classe criativa, ecossistema, startup, hub, parque tecnológico e distrito de inovação passaram a organizar políticas públicas, estratégias urbanas, agendas empresariais e reformas institucionais. A partir de uma revisão crítica narrativa e interdisciplinar, o livro articula urbanismo, geografia econômica, sociologia urbana, economia política da inovação, estudos organizacionais e crítica da ideologia para compreender como teorias complexas são apropriadas, simplificadas e transformadas em slogans, métricas, marcas territoriais e modelos de planejamento. Tomando como referência central a obra de Sharon Zukin sobre o complexo de inovação, o livro discute a relação entre terra, trabalho, cultura, capital, tecnologia e imaginário urbano. Ao longo dos capítulos, são examinados autores, instituições, mitos, liturgias e pedagogias da nova economia, incluindo o mito da garagem, o mito do café, o mito do “se construir, eles virão”, as frases motivacionais em ambientes de inovação e a construção visual de paisagens tecnológicas. A obra também analisa quatro territórios paradigmáticos da inovação — Vale do Silício, 22@ Barcelona, China e Brasil — para discutir os limites da importação de modelos, especialmente no Sul Global. Ao final, o livro contrapõe a inovação como slogan à inovação orientada por missão, defendendo que a inovação só se torna desenvolvimento quando articulada a políticas públicas, capacidade produtiva, soberania tecnológica, financiamento estratégico, justiça social e retorno coletivo. Trata-se, portanto, de uma contribuição crítica ao debate sobre parques tecnológicos, distritos de inovação, economia do conhecimento e desenvolvimento urbano contemporâneo.
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