Desastres não são naturais e por que ainda falhamos na sua prevenção
Palavras-chave:
Impactos ambientais, Políticas públicasSinopse
Desastres não são naturais, mas sim produzidos socialmente. Eventos extremos se tornam desastres quando atingem populações vulnerabilizadas. Ou seja, os riscos resultam da combinação entre exposição, vulnerabilidades e baixa capacidade de resposta, sendo
moldados por processos históricos de desigualdade. Soluções tecnicistas são insuficientes e podem agravar problemas. Apesar do avanço das agendas climáticas, muitas respostas focam em aspectos técnicos e ignoram desigualdades sociais, territoriais e políticas. Isso limita sua efetividade e pode até gerar novos conflitos e formas de vulnerabilidade. Vulnerabilidade é estrutural e exige respostas baseadas em justiça e direitos humanos. A vulnerabilidade não é condição intrínseca, mas resultado de desigualdades no acesso a recursos, poder e direitos. Por isso, políticas eficazes precisam enfrentar essas causas estruturais e incorporar perspectivas de justiça climática, ambiental e social. O desenvolvimento urbano e os modelos econômicos ampliam o risco. A concentração de populações em áreas de risco não é acidental, mas consequência de modelos de desenvolvimento excludentes. Assim, o risco de desastres está diretamente ligado à forma como cidades e territórios são produzidos. Há um descompasso entre avanços normativos e implementação prática. Embora marcos como o Marco de Sendai e políticas nacionais (como no Brasil) priorizem a prevenção, na prática ainda predominam ações reativas. Falta incorporar o risco de forma sistêmica nas políticas e alinhar investimentos e governança a essa abordagem. Esta obra integra a coleção Agenda Política Pública.
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